À geração de Março > http://www.arquivors.com/geraldomaia2.htm
Somos a geração de Abril.
Que passou e ninguém viu
E ninguém vê…
Ainda estamos passando…
Somos a geração
De menos filhos
De mais sogras,
Das más sobras
E plenos delírios.
Somos somados,
Divididos
E unidos em blocos,
Segregados.
Somos a geração de proveta
E seremos clonados
Depois de nascermos
D’um parto cesariano.
Somos a geração
A favor da fome
Em nome da gula
Da contracultura fãs.
Somos a geração
Sem amanhãs
Ontem e hoje
Filhos dos filhos
Da ditadura
Somos a geração
Sem genealogia
Gememos por Democracia
Gritos, palavras sem ordem:
Paz, Justiça, Amor, Respeito
Ou somos a hipocrisia do “NÃO”
Ou não somos sinceros
Talvez nunca livres
Corpos vivos sob um único caixão
Não somos a Geração de Março
Somos a Geração de Abril
Ao passo que a de Março
Sob os escombros do passado
Está a esperar esse entulho sair
E esse entulho somos nós
Essa geração arruinada…
E não seremos NADA…
Após as próximas gerações
Somos a Geração
Sem memória…
A memória é RAM,
É ROM e é ruim…
O cérebro é o hardware
O pensamento o software
E vivemos assim…
Almoçamos as mesmas refeições
Ruminamos os bois saboreados
Alguns comem pão com goiabada
Outros o velho hot, sem mostarda
Somos a geração intragável
A palha da braba pedregosa
Somos a geração mais perigosa
Nós somos o pó em forma liquida
Nós somos o expoente da transformação
O sufixo da palavra sucumbida
da perífrase do verso
Na periferia, no vão…
Somos uma geração de solitários
E todas estas terceiras pessoas
São primeiras…

0 comentários:
Postar um comentário